Francisco Miguel de Moura
Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras
Não gosto de prognósticos políticos nem outros. O futuro a Deus pertence, diz o povo em sua sempre sabedoria. Mas já falam por aí que o Lula é quem vai governar caso a Dilma ganhe as eleições deste ano, 2010. Seria nota 10? Ou uma negação do que se tornou já um eslogan a partir de 1º de janeiro? Bem, é um fato que a Ministra Dilma Roussef tem muitos trunfos a mostrar e proclamar na campanha: 1 – seria a primeira mulher a ser eleita presidente, e com o sentimentalismo do povo brasileiro, hem?! 2 – foi uma boa ministra de Estado; 3 – tem apoio do Lula. Teria o apoio total da base aliada, PT e os demais partidos que a compõem? Esta é a primeira objeção; a segunda é que está doente, e uma coisa que político precisa é de saúde; a terceira é o seu passado de guerrilheira, bom para uns e péssimo para outros.
Mas vamos tratar do que seria o quarto mandato, o terceiro o Lula ganharia como maior cabo eleitor da Dilma e ficaria como mentor principal e de fato governando o País – um disfarçado terceiro mandato. Fala-se também que ele, Luiz Inácio, quer candidatar-se depois da Dilma, um direito seu, mas redundaria no quarto mandato. Quarto mandato, o que seria? Um reinado. Ora, eu votei no plebiscito para a volta de República a Reinado, mas com parlamentarismo. Reinado, assim, é ditadura perpétua. Não dá o que pensar? Por isto transcrevo meu artigo abaixo, publicado há mais de ano: “TERCEIRO MANDATO É DITADURA” :
“Não estou gostando nada desta história de “terceiro mandato”. Isto me soa a ditadura. Será que ele (o Presidente) vai pegar a mania do Chavez, da Venezuela? Lá pelo menos tem muito petróleo e pouca gente, tem a Bolívia vizinha, a quem o Hugo Chavez promete invadir, tomar-lhe os minérios, o gás e a droga. Aí se tornaria o senhor da América do Sul, do petróleo ao tráfico de droga.
Aonde essa política populista do Lula chegou? Nem ele mesmo adivinhava. Agora fica estimulado pelos seus “puxa-sacos” a pensar besteiras. Bolsa-escola, bolsa-família, bolsa-cultura, luz-para-todos, isto e aquilo...
Empregos, que é bom, vieram poucos (e no primeiro mandato). Somos um país onde os jovens não podem estudar, não podem trabalhar, não podem praticar esporte sadio. Em tudo falta estrutura. E vão fazer o quê? Caem na bebida, na droga, na jogatina, pois para aquilo que não presta nunca falta dinheiro.
Está no tempo de os “caras-pintadas” saírem às ruas de São Paulo, do Rio, de Salvador, de Recife a Fortaleza, de Porto Alegre a Curitiba, cheios de consciência de que socialismo, pelo menos nos moldes do século XX, não deu certo. Só nos serve agora como história. Sei que as oposições ainda estão muito fracas. Mas precisam perceber que o perigo está à vista. Vigilância. Manifestações. Luta. Sem elas, nada de bom pode acontecer. Com todos os defeitos, a democracia liberal ainda é a melhor opção. Mesmo com capitalismo. Não há outra alternativa.
Fidel seria o último ditador da América. Mas, por desconto de pecados, nos apareceu o Hugo Chavez. E, em seguida, aquela história, também muito feia, que o presidente da Argentina arrumou para candidatar sua mulher.
Não abro mão dos princípios democráticos e constitucionais. Politicamente, mesmo com a gente de outros partidos, prefiro agarrar-me à democracia.
Alguém me falou ontem, na rua:
– Olhe, venha para o PSOL, é o único partido que existe.
Cá comigo, o PSOL é também uma opção com socialismo e mais caduco ainda do que esse que o PT está fazendo – o socialismo populista. Mas não pensem que sou contra o socialismo. Cito aqui o final de meu poema “Milagre da Divisão” (do livro “Areias”, 1966): “O bom Jesus deu mesa à multidão / com sete pães. Bendito qualquer ismo / que multiplique e faça a divisão”. Continuo acreditando no socialismo cristão, apesar do Bush”.
(Publicado no jornal “O DIA”, Teresina, em 1º de dezembro de 2007)
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