Se a gente não sentisse o tempo
(os ratos correndo, sentem),
Se a gente não sofresse o tempo
(como a hiena ri sofrendo),
Se a gente não comesse o tempo
(como os vermes do calendário)
de modo mais cruel, em cada níver)...
Nenhuma dúvida nem angústia
faria o peito parir e suar frio,
e os frutos da alegria se abrirem
quando alguém nos abraçasse.
Como inventar palavras e ganchos,
simbolizar a vida e seu futuro,
amar os que nos amam com apuro,
e aturar os males do feitiço?
Como pintar cabelos brancos
e fazer unhas, esses extremismos?
Como ganhar os caminhos que se perderam,
em lembranças e saudades provisórias?
Se a gente não sentisse o tempo,
seriamos pedra ou bicho mais miúdo,
ninguém era ou seria realmente
este nada, esta flor, este enfeite.
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*Francisco Miguel de Moura, poeta e prosador brasileiro, mora em Teresina, onde é membro da Academia Piauiense de Letras. Participa também da Academia de Letras da Região de Picos e da Associação Internacional de Escitores e Artistas, nos Estados Unidos.
Este poema é excelente, se
Este poema é excelente, se não fosse exclusão da última palavra "estrume". Já lá no blog do autor e noutros lugares encerrando com aquela palavra. Vai ver foi um esquecimento ao transpor para este blog.
Parabéns ao autor