Na reta final das gravações do longa metragem picoense "Senhora dos Remédios", me peguei pensando sobre o desafio e prazer que tem sido fazer este trabalho. Pensando no dia em que me bateu a idéia de filmar. Trêz curtas já havia sido feito por nós do PBC, uma primeira exibição pública daqueles, que muito tinha de amador, mas mais de amor.

Tudo começou com a homenagem feita a Vilebaldo Rocha, nosso amigo de fé, em seu aniversário no 26 de dezembro de 2008. "Noite" fora produzido e realizado em apenas um dia, num impulso, como que num sopro superior. Numa máquina que mais tinha de fotográfica do que de filmadora, e que compensaria mais a satisfação de agradar nosso amigo do que a opinião da crítica mais tarde.
Ao "Noite" seguiu-se "O Velho e a Neta", mais uma produção de apenas um dia, com os mesmos recursos escassos, com a mesma boa vontade dos envolvidos, com a mesma disposição de dar a cara a tapa e o peito aberto às críticas, mas o importante é que estavamos fazendo, dando nossos primeiros passos rumo à Sétima Arte. Depois veio "A Labuta", mais enxuto, mais leve, e ainda com a mesma escassez de recursos. Esse nos alegrou a todos pois apesar de humilde na produção, foi rico em boas reações dos expectadores. O que nos impulsionou a idealizar o primeiro longa. E aí foi que numa conversa em minha residência, dei a idéia de gravar "Senhora dos Remédios". Tínhamos a experiências de 'N' apresentações da peça de Mundica Fontes e Ozildo Albano, bastava desenvolver um roteiro com mais personagens, com mais tramas e selecionar um elenco disposto e corajoso como o PBC.
Desenvolvi então o roteiro nas poucas horas vagas que tinha no meu emprego, e à noite quando chegava em casa. Pesquisando sobre aquele período histórico, sobre os personagens, e costurando tudo com minha imaginação. Enfrentei críticas ja no desenvolver do texto, mas nada que me impedisse de continuar. Fizemos a audição do filme onde selecionamos alguns dos atores e atrizes que nele atuariam, escolhas certeiras que nos vieram acreescentar muito. Agragamos nomes como Mundica Fontes que abraçou a idéia e resolveu assinar o figurino, e bons alguns apoios logísticos que nos forneceram capital indispensável para o desenvolver do filme.
E a notícia se espalhou. Quando menos espero o filme está na boca do povo, mesmo a anos-luz do seu lançamento. A mídia picoense procurando-nos por notícias; rádios, tv, imprensa escrita, internet, enfim, muito se viu, se ouviu e se leu a respeito do longa. E isso me fez tremer na base pela primeira vez. A expectativa gerada me fez ver que a responsabilidade em desenvolver tal obra, mesmo que sem grandes intentos é muito grande. Estavamos fazendo um trabalho pro povo picoense, mas um trabalho despretencioso. Espero contudo, que depois de lançado nossa gente possa enxergar em "Senhora dos Remédios" não uma obra 'holioodiana'(nem essa é nossa pretenção já que estamos muiiiiiitooooooooooooooooooo longe disso), mas que possam ver no filme, nossa arte, nosso povo, nossas crenças, e um grupo de artistas locais que mesmo com o tissuname GIGANTESCO que nos vem de encontro, tentando nos afogar numa cultura de massa, ou pior, na poda de qualquer planta cultural que ameace brotar, que apesar disso, continua nadando, indo de encontro, dando a cara a tapa, pintando o rosto, indo às ruas, às praças e gritando pros picos todos ouvirem que aqui também tem grandes artistas, que aqui também se faz ARTE!
É a esses tantos artistas picoenses, de todos os ramos, que dedico esse filme. E é a esses tantos artistas envolvidos nesse projeto que agradeço. Agradeço pela confiança, pelas esperança, pela perseverança, pela luta, pelo empenho, pelo incentivo, e por me aturarem nesses meses todos de gravação. Obrigado meu querido elenco, obrigado minha querida Picos, obrigado minha querida gente!
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