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Sonhei...

07 de novembro de 2010 - 00:49

Aquela manhã começou como apenas mais uma. Era meados de 1988 e o Sol brilhava na altura de oito horas da manhã. Levantei-me ansioso para brincar em mais um fim de semana de minha infância... Mas antes cumpri meu ritual de tomar o café da manhã, meu tradicionalíssimo cuscuz regado  ao café com leite... Uma delícia para meu paladar pouco exigente. Sentado no batente da porta da sala um garoto me esnobou: "No meu café da manhã eu como é bolo". Dei de ombros e continuei me deliciando com aquele prato que as mãos de minha mãe magicamente preparara.

Tomado o café fui pra lateral direita de minha casa, que naquela hora fazia uma sombra gostosa. Sentei-me num monte de areia e comecei a brincar com palitos de fósforos que na minha imaginação transformavam-se em cavaleiros medievais, princesas, mosntros e uma série de personagens que os dezenhos da época me ajudavam a imaginar. Eram os anos oitenta que também para a infãncia de quem os viveu, foram mágicos!

De repente obervei que na casa 14, mais uma família chegava para morar. Aquela casa parecia um hotel tamanho era o rodízio de moradores que por alí passava. Na porta da casa, avistei de onde eu estava um garoto que parecia ser de minha idade pelo tamanho, com negros cabelos lisos, olhos amendoados e uma pele muito alva. Olhamo-nos, sorrimos e logo o convidei para comigo brincar. Ele veio de pronto. Foi então que peguei de minha mãe dois vidro de talco em formato de elefaante e alguns outros objetos para alimentar mais nossa imaginação. Apresentamo-nos e constatei então que ele tinha oito anos, como eu. Brincamos alí como se fossemos amigos a vida toda, mesmo curta a vida como era a nossa. E logo tornamo-nos os melhores amigos um do outro.

Eu era o mais velho de trêz irmãos, ele era o mais velho também de trêz. Eu era sagitariano de dezembro, ele era sagitariano do mesmo mês. Nossas casas eram irmãs, uma 13 outra 14, e nos tornamos também irmãos, por escolha, como costumávamos dizer.

Crescemos numa infância elétrica, cheia de brincadeiras de movimento. Esconde-esconde, trisca, cola, barra ou bandeira, polícia e ladrão, pêra uva ou maçã, cantigas de roda, peteca e um sem número de brincadeiras  que costumávamos inventar para nos divertir. Outros  meninos foram chegando na vizinhança para aumentar o círculo de amizades, e a  nossa alí, cada vez mais forte. E brigávamos, e ríamos, e cantávamos, e chorávamos. Lembro-me que sempre que ele tinha algo,  ele ia em minha casa dividir comigo. Eu nunca fora tão autruísta, mas com ele aprendi muita coisa. Como ser uma pessoa melhor. Se a inoscência existe e a bondade também, ele era a personificação disso.

Crescemos juntos, naquela irmandade sem fim. E nem brigas entre nossos pais puderam abalar nossa amizade. Pelo contrário, foi exatamente a nossa amizade que acabou com as diferenças entre nossas famílias.

Adolescemos... Eu seguia regularmente meus estudos e ele começava a desandar nos seus. Eu começava a namorar e ele continuava a brincar. Eu experimentava sofrer, e ele fumar e beber. Saíamos para festas, tertúlias, carnavais... vivíamos... E recordo-me agora daquele reveion, o segundo que nos divertimos juntos, sem a presença de nossos pais, em que, adolescentes com 14 anos, ele tomado pela bebida no centro desportivo de Oeiras, rodeado de outros amigos, todos altos no állcol e eu em minha casa, de onde dava para ver a movimentação daqueles meus vizinhos de infãncia, observando-os e preoculpado com meu melhor amigo; ciúmes talvez, por não querer ter ido também para lá.

Em certa hora porém, não resisti e fui buscar meu amigo, e quando lá cheguei, vendo aquela cena que eu não me permitira atuar, fui abraçado por ele que tendo na outra mão uma garrafa de bebida, falou em alto e muito bom tom, para todos que quizessem ouvir: "Eu amo esse cara! Eu amo esse cara! Esse cara é meu irmão!" Não conseguiria descrever o que aquela declaração significou pra mim. Ele era meu irmão, sempre fora, sempre soubemos disso. Mas era uma certeza só nossa. Naquele momento, aquela certeza fora compartilhada com uma duzia de amigos que não interpretaram mal a afirmação, mas nos olharam e calaram.

Levei-o então pra minha casa, deitei-o no sofá da sala. Olhei-o dormir um sono justo e tranquilo e sonhei... Se ele sonhava não sei... Sei que sonhei...

Comentários

 Pois é num passado não muito

Enviado em: 07/11/2010 - 00:49, por Andressa Barão (não verificado)

 Pois é num passado não muito distante, as crianças eram crianças, hoje em dia crinças cm mais ou menos 14,15 anoos são mães.

O mundo mudou tá tudo tão diferente do que eu vivi! 

Flávio o seu texto foi liindo, adorei... abraços  Andressa Barão

Brigado linda Andressa! Que

Enviado em: 07/11/2010 - 00:49, por flavioguedes

Brigado linda Andressa! Que bom que também você vivera uma bela infância... Pobres crianças de hoje... rsrs

 Amei , muito lindo.. vc como

Enviado em: 07/11/2010 - 00:49, por Antonia (não verificado)

 Amei , muito lindo.. vc como sempre um TALENTO. Me orgulho de poder ter tido a sorte de lhe conhecer.. PARABÉNS>>> 

      Minha infância foi

Enviado em: 07/11/2010 - 00:49, por Sheila lima (não verificado)

      Minha infância foi maravilhosa,muitas brincadeiras,muitas risadas,não via o tempo passar!Que momento mágico,que bom que mesmo distante pela idade hoje,ainda sinto um friozinho na barriga quando lembro!Bjussssssssssssssssssssss

TERMINEI  A LEITURA COM

Enviado em: 07/11/2010 - 00:49, por BEBETA (não verificado)

TERMINEI  A LEITURA COM LAGRIMAS NO ROSTO,PARTICIPEI MUITO DESSAS BRINCADEIRAS ENTRE VOCES.E SEI Q AMIZADE VERDADEIRA EXISTE.E Q A AUSENCIA DELE DEIXA UM VAZIO GRANDE EM NOSSOS CORAÇÕES.BJOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Parabens!!!Amizade é

Enviado em: 07/11/2010 - 00:49, por Kalliny (não verificado)

Parabens!!!Amizade é fundamental!!!Sucesso....

Pois é Bebeta, nosso amigo,

Enviado em: 07/11/2010 - 00:49, por flavioguedes

Pois é Bebeta, nosso amigo, nossa infãncia, parte de nossa vida... Onde quer que ele esteja, sei que ainda olha por nós!

adoreiii a história  ,  vc

Enviado em: 07/11/2010 - 00:49, por ruthe (não verificado)

adoreiii a história  ,  vc teve infancia e eu tb ,mas tenho pena dessas crianças da nova geraçao que nao brincam + , e no futuro nao muito distante acabam indo por caminhos errados

te adorooo flavio...

Cara viajei aqui ó,que linda

Enviado em: 07/11/2010 - 00:49, por Sidney Eduardo (não verificado)

Cara viajei aqui ó,que linda história .Me fez  lembrar da minha infância tbm.Isso mostra  q muitas vezes a vida nos afasta de pessoas q  gente nunca deveria se afastar por isso ame  a cada momento de sua vida e diga  as pessoas o qnto vc  ama...

abraços Flávio

Flavio,           Belo texto,

Enviado em: 07/11/2010 - 00:49, por moises chaves (não verificado)

Flavio,

          Belo texto, simples, direto,emocionante e sobretudo revelador....."uma grande amizade é assim: dois homens apaixonados"

com carinho

Moisés chaves

 

 

 

        

Historia muito bonita. Lindas

Enviado em: 07/11/2010 - 00:49, por J.Nilo (não verificado)

Historia muito bonita. Lindas recordações me fez voltar ao passado. Aos meu tempo de menino como todo nordestino choram sem saber porque. Sentado no batente da porta com um prato cuscuz, tanta inocência e personagem imaginário.

Ôh tempinho Bom!

como diz no tema eu tambem SONHEI

rsrsrsrsrsrsrsrs

Abraço! 

 

  Que singela homenagem, meu

Enviado em: 07/11/2010 - 00:49, por Ana Maria (não verificado)

 

Que singela homenagem, meu amigo, ”se todos fossem iguais a você”... quantos agora,depois deste texto não  voltaram a infância,momento mágico e puro da  vida, e não reencontraram pessoas que se fizeram tão importantes assim nas suas vidas também.A vida vai confundindo tanto quando se cresce,que a gente as vezes esquece desses momentos felizes.Tão bom quando se cativa e se cultiva uma amizade verdadeira.Um amigo nos faz sentir seguros,protegidos,encorajados pra enfrentarmos melhor todos os nossos  desafios.Um amigo assim,  jamais ficará escondido no tempo ou na distância imposta pela vida, pois a sua  presença mesmo na ausência  pode ser sentida.

Grande abraço!

Texto muito lindo, Flávio...

Enviado em: 07/11/2010 - 00:49, por José Valmir (não verificado)

Texto muito lindo, Flávio... me fez voltar a minha época de criança, só que dos anos 90...

Tive sorte por ainda aproveitar essa infância mais simples, alegre e humana...

Brincar na rua de pés descalços ouvindo sua mãe gritar "Vai calçar o chinelo que o chão tá quente, menino"

Se lambuzar na lama em um dia de chuva. Subir em cima dos pés de caju e brincar do "bixo" com os amigos... Correr atrás do "carro do mosquito da  dengue". Pegar "bicuda" em um caminhão Tempos bons que só voltam com a lembrança...

Hoje, sento na calçada com meus amigos de infância e voltamos juntos a essa época... 

É tão bom sentir seus pés molhados de lama... sua roupa melada de noda de caju... o cheirinho de terra molhada...

É tão bom sonhar e voltar a ser criança...

 

As recordações da nossa

Enviado em: 07/11/2010 - 00:49, por Samara Martírios (não verificado)

As recordações da nossa infância nos torna completos, nada melhor na vida do que vivenciar de belas lembranças do passado. Muito bom o seu texto Flavio não sabia que estava virando um belo letrado. Parabéns! Xeirão.

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