
Peço licença aos internautas para iniciar um novo quadro. Vamos falar de pessoas honestas, mas ao mesmo tempo polêmicas. E em um ótimo sentido, personagens que nos fazem sorrir, e às vezes nos aconselham. Hoje é o dia de Mandrake, nome de mágico do gibi antigo, mas apesar de um amigo em São Paulo ter lhe colocado esse apelido baseado em uma árvore paraense, sem querer, ele acertou na vida real o caráter de um simples dono de bar, que de fato faz justiça ao apelido. Ele é mágico: por não ter um transporte físico; e criar uma família com dignidade; ter milhões de amigos; saber distinguir o certo do errado.
Na verdade, Mandrake que aos 61 anos tem pai e mãe é uma figura querida que Deus, como sempre, iluminou-lhe e nos iluminou com esse primeiro personagem do Ah! Conheço Você.
Sertão, sempre sertão
Nos meados dos anos 40 a vida não era tão diferente do que nos tempos da escravidão. A diferença é que muitos sem terra viviam dias difíceis diante dos coronéis da época. Meu pai, João Quaresma de Lima, sofreu arduamente junto com meu avô, trabalhos escravos indignos da honra e da sabedoria, que aliada à força bruta, ajudaram a construir esse, que ainda é um sertão sofrido.
Quando digo sofrido, me refiro aos governantes do alto do escalão da República, porque sabem exatamente das necessidades de água naquele lugar, que é um dos maiores reservatórios de água doce do mundo.
Meu pai juntamente com meu avô trocaram dez palitos de fósforo por meio dia de serviço, e quando tinham que se deslocar da terra dos coronéis para a terra prometida, partiam os palitos ao meio para que tivessem o dobro do tempo até chegarem ao ponto final. Às vezes, os palitos eram insuficientes, e tinham que revezar fezes de gado acessa. Isto é, para economizar cada meio palito.
Resumindo tudo isso: Não somos quem deveríamos ser; não praticamos o que fizeram por nós; não somos escutados por quem deveríamos ser e nem sabemos exatamente como consertar tudo isso.
Meus poetas
Eu passei meus últimos anos lutando por uma causa justa que se chama simplesmente poesia, mas tudo que é plantado sabemos nós, sábios ou não, que um dia será colhido. Francisco Miguel de Moura, filho do incomparável poeta piauiense Miguel Guarany, de passagem por nossa humilde e pacata cidade de Francisco Santos, deixou um presente caro sem custo logístico, um breve e inesquecível elogio a esse incansável poeta, que nada mais é do que um amante a moda antiga, daqueles, sim, que ainda manda flores, e se tiver que olhar o céu de madrugada, com certeza é relembrando alguns amores.
Em 1992, quando vereador de Francisco Santos, tive como primeiro projeto, um lançamento de um simples livro que viria a ser o primeiro livro dos poetas daquela cidade, que são os seguintes:
Zé de Neo, Sidrake, Antônio Alves dos Santos, Zé de Toínho, Zé de Natuca, Manoel Brás, Elias de Néo, Zé Veloso, Manoel Zuza, Abrão, Pereirinha, João Bosco da Silva, Isaac Piauí, Zé Wilton, Mocinha, Jacó de Toinho, Paulo do Diogo, Xodó, Joaquim de Béu, Camila Silva, Rosa Isaura e o mais humilde conterrâneo, Irvaldo Lima.
(Textos, colaboração: Iasmim)
A FERIDA DO AMOR
Autor: Irvaldo Lima
Noite calma, céu de lua cheia
O silêncio simplifica meus sussurros
Louco da vida rolo nessa areia
Que já possui marcas de outros murros
Areia úmida, moléculas de prantos
Que são guardados pelas sombras belas
Dessas palmeiras que provocam encantos
E a mim protestam por tirá-los delas
Meus sonhos de ouro que antes sonhava,
Se transformaram em mil pesadelos,
E a musa herdeira de amores que eu dava,
Hoje além, não ouve meus apelos...
... E em dores largas eu levo essa vida,
Vida sofrida de mil dissabores,
Se “numa” vida é grande a ferida,
Essa ferida provém dos amores.