Em seus oito anos no poder, Luiz Inácio Lula da Silva poderia ter convidado FHC para conversar. Preferiu evitar tal gesto, tão comum em democracias mais maduras e desenvolvidas. É corriqueiro nos Estados Unidos um republicano receber um democrata ou vice-versa na Casa Branca.
É evidente que essas ocasiões não são sinalizações acabadas de civismo e bons modos. Trata-se de "realpolitk". Dilma e FHC ganham com esse gesto calculado. Ela, porque lustra a imagem de "presidente cordial". Ele, por reocupar espaço na cena nacional -entrando pela porta da frente depois de ter sido escanteado por seu próprio partido.
Ainda é cedo para saber se Dilma adotou tal comportamento por estratégia pré-definida ou se as coisas foram acontecendo e ela surfou o momento. Essa atuação ao acaso, uma espécie de "serendipismo" brasileiro, tem sido a regra no caso das demissões de ministros acusados de corrupção.
Não há notícia, por exemplo, de Dilma determinando faxina na Esplanada. Ela própria nega. Mas a imagem pegou. E não existe esforço concentrado no Planalto para debelar a impressão disseminada.
Assim como na definição de cordialidade de Sérgio Buarque de Holanda, a presidente vai sendo de uma forma em privado e de outra em público. Por enquanto, esse tem sido seu maior êxito.
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