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Lampião afugentou 400 no Piauí, diz livro

11 de outubro de 2011 - 11:01
Revista Isto É publica reportagem que retrata perfil do maior cangaceiro do Nordeste, Virgulino Ferreira Lampião.Biografia simples e concisa retrata o "rei do cangaço" como um criminoso cruel.
Por: 
Marcos Diego Nogueira - Isto É
Imagem da Notícia

No auge de sua trajetória no cangaço, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, conseguiu com um bando de 50 homens afugentar 400 soldados que o perseguiam.

O episódio deu-se no Piauí, em 1927, e ficou conhecido como a Batalha de Macambira. É o melhor exemplo do tino de estrategista do cangaceiro, cujo grupo estava prestes a se render, desprovido de montarias e armas, por causa de um violento combate anterior.

Ao lembrar essa passagem no livro “De Olho em Lampião – Violência e Esperteza” (Claroenigma), a escritora e doutora em ciências políticas Isabel Lustosa sublinha a perspicácia de um dos personagens míticos da história brasileira no século XX. Sua sucinta obra, contudo, tira do “rei do cangaço” o título de herói dos desfavorecidos e o coloca como um criminoso sem escrúpulos longe da aura de “bandido social” que ganhou da esquerda. “Esse mito fica bem no cinema e na literatura, mas num livro de história os personagens precisam ser descritos com todas as suas contradições”, diz Isabel.

A biografia sobre esse pernambucano, que morreu em 1938 aos 41 anos, tem 100 páginas de fácil leitura e integra a coleção “De Olho Em”, que busca introduzir o leitor a assuntos históricos por meio da biografia de personagens como dom Pedro II e Euclides da Cunha – já no mercado – e o rebelde Zumbi, enfocado no próximo lançamento.

Eis algumas das contradições de Lampião, apontadas pela autora: identificava-se mais com a classe dominante do que com o povo, tinha preconceito racial apesar da cor de sua pele estar “perto do negro”, não matava padres e usava a fortuna amealhada para garantir munição e conforto para sua vida nômade.

“Ele era um homem muito inteligente, mas isso não o torna menos bandido”, diz Isabel, que não deixou escapar curiosidades como a cena em que Lampião, possível autor do forró “Mulher Rendeira”, apreciou a música de Cole Porter, executada por uma banda a bordo de uma balsa no rio São Francisco.

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Responsável: Editor-chefe Fábio Ferreira (DRT-PI 316/97) | E-mail: maisfoco@hotmail.com | Celular (89) 9908 7622